Amargura

Sendo que paredes servem muitas vezes para as pessoas expressarem as suas amarguras amorosas, não há propriamente uma regra sobre a forma como o devem fazer. Neste caso, sob a forma de um desenho um pouco tosco, é certo, mas carregado de emoção e tristeza, como bem atesta a flor murcha envergada quase a contra-gosto.

Anúncios

Luvas

O artista +- , conhecido pelo seu estilo próprio – que passa por um lettering sempre coerente e por jogos de palavras usados como crítica social – a dar cartas na Covilhã, cidade onde volta e meia são relatados uns casos de negociatas pouco inocentes envolvendo os poderes políticos. Neste caso, apropriando-se do nome da cidade, atribuindo-lhe um epíteto pouco simpático.

A publicidade

Volta e meia, deparamo-nos com uma espécie de publicidade institucional ao fenómeno da pintura de paredes públicas, não querendo fazer mais do que justificar a sua própria existência. Como sucede neste caso, em que se pede menos paredes limpas e mais arte de rua, num estilo de cartaz vintage devidamente recuperado aos nossos dias.

Projetar

Uma espécie de auto-flagelação por parte de quem escreveu esta parede. Alguém que andou tão entretido a sonhar e a projetar coisas, que nunca terão dado em nada, que acabou por perder tempo precioso de vida. No fundo, alguém que nos diz que devemos sonhar com cenários futuros, mas sem tirar os pés do presente. No final de contas, é isso que conta.

A caravana

Uma versão adulterada da velha máxima popular “Os cães ladram e a caravana passa”, forma de mostrar que todas as decisões implicam sempre divergências de alguém e que é melhor ignorar e seguir o caminho previamente traçado, indiferente a críticas do momento. Aqui, dá-se ao bicho gato um poder superior ao congénere canino, para fazer parar a caravana e mudar o rumo do acontecimento. O ditado original não terá certamente direito a alterações à custa deste muro, mas terá certamente aqui uma espécie de opositor, qual cão a ladrar à caravana que passa.

O jardim

null

Para além de tecnicamente muito bem executada, uma pintura que consegue aliar à beleza à mais fina ironia. Uma criança colhendo flores numa zona que deveria ser o mais próximo possível da ideia que temos de natureza, mas com uma proximidade de radioatividade que se mistura até com uma simples flor. Mais do que qualquer outro slogan do género “Nuclear, não obrigado!”, uma interessante forma de nos fazer pensar em alternativas para ir buscar a energia de que precisamos.

A resposta

O apelo emocionado de alguém que está à espera de uma resposta. O sítio escolhido terá certamente algo a ver com os locais de passagem da pessoa a quem a mensagem se destina, caso contrário o apelo perde eficácia. A ausência de assinatura permite concluir que o ou a receptora da mensagem deverão saber que têm realmente do outro lado alguém tão desesperado, que arrisca pintalgar uma parede. Como em casos semelhantes, resta ao comum transeunte tentar imaginar que história estará por detrás de tal apelo. E, já agora, que a coisa acabe em bem.