FMInha

Pessoas atentas ao fenómeno das pinturas de rua por Lisboa terão certamente reparado que a intervenção da mal-amada Troika em Portugal tem dado azo a muitas frases escritas por aí. Por vezes em tom irado, noutras em tom irónico ou até recorrendo a trocadilhos. “Estou cá com uma FMInha” pode ser vista em vários pontos da capital e, a fazer fé nas previsões de quem percebe de situações de pré-catástrofe económica, é uma frase que não irá perder atualidade nos próximos anos.

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O melhor sorriso

Se não é novidade que Lisboa está recheada de frases que suscitam, em primeira análise, a surpresa – caso contrário, este blogue não teria grande viabilidade a médio/longo prazo – não há muitas frases que contenham em si interrogações, como que a querer estabelecer um diálogo com quem ali passa e as lê. A questão sobre se o nosso melhor sorriso já terá sido hoje lançado é pertinente, sobretudo numa altura em que os motivos para sorrir não serão muitos.

É tão difícil guardar um rio quando ele corre dentro de nós

Só ouvi falar de Jorge Sousa Braga após ter levado para casa como recordação este verso que, não obstante estar pintalgada algures entre o Cais do Sodré e a Rua da Moeda, se pode encontrar noutros sítios em Lisboa. Uma pesquisa nos googles desta vida permitem saber que foi um dos poetas mais profícuos do pós-revolução, pelo que a utilização dos muros públicos para que outros possam citá-lo suscita uma interessante ligação com esse conturbado período do pós-25 de Abril. A metáfora do rio enquanto local onde flui o que de mais íntimo haverá dentro de nós – conjugando o lado físico e dos sentimentos de que o ser humano é constituído – remete para outra observação interessante, que é o facto de o nosso poeta ser precisamente licenciado em Medicina.

Gostar de Lisboa

Não é possível saber se esta imagem de um jovem com uma t-shirt contendo uma eloquente declaração de amor a Lisboa corresponde ao seu próprio avatar. Ainda assim, não deixa de ser uma original forma de prestar homenagem a uma cidade que só a espaços vê os seus muros dedicados a si própria.

A perda de células cerebrais

Se isto não é um alerta eficiente no que respeita à relação entre consumo de drogas e perda de capacidades, então não sei o que tal pudesse ser. Resta saber se esta frase foi escrita por alguém que tentou assumir uma atitude pedagógica ou por quem já estaria a experimentar os efeitos colaterais para os quais já estava a alertar. Arriscaria a segunda hipótese.

O aparente paradoxo

Só quem terá escrito “Baixa as expectativas e sonha mais alto!” nesta parede lisboeta poderá explicar com rigor qual o real alcance de algo que aparentemente soa a paradoxo. Ainda assim, arrisco algo como baixar as expectativas de terceiros e criar as nossas próprias e ir atrás delas. Mas isto é uma análise minha. Provavelmente, uma frase destinada a criar uma diversidade de interpretações.