As melhoras

Se tivesse que fazer uma espécie de top 10 em matéria de pérolas dignas de nota nas ruas de Lisboa, o que consta nesta foto estaria obviamente na lista. Alguém – que apenas sabemos ser do sexo feminino – certamente com a preocupação de informar as restantes pessoas de que haveria melhorias – presumimos que do estado de saúde, mas sem poder afirmá-lo como verdade absoluta – não o fez por SMS ou por e-mail e recorreu a uma parede numa rua lisboeta, na zona do Chiado. Podia tê-lo simplesmente escrito? Podia, mas recorreu aos pequenos azulejos normalmente utilizados para dar nomes às vivendas por esse país fora, fazendo com que se criasse uma espécie de património para todo o sempre. O anonimato traz uma aura de mistério ao que aqui se vê. Não se sabe quem aqui colocou este agradecimento, mas o que faltou em desejo de reconhecimento sobrou em originalidade.

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No worries

Não tenho por hábito publicar na Internet, seja no Facebook ou em qualquer outro local na rede, fotografias de sítios onde estive de férias. Em primeiro lugar, por não padecer propriamente do pecado burguês da afirmação social através de viagens e, em segundo lugar, mesmo que o fizesse, certamente que perderia a competição para uma boa parte das pessoas que conheço. Abro a exceção ao publicar fotografias que valham a pena publicar dentro do espírito do blogue. É o caso desta fotografia que tirei em Dublin, à entrada de uma loja de roupas e acessórios para góticos, metaleiros ou punks, com uma original caveira a amenizar um cenário que não é o mais amigável para quem ali passa pela primeira vez, lançando um lacónico “No worries”. Vale a pena por uma certa carga de ironia.

O joker

Encontrar nos arquivos fotografias com pinturas, stencils ou frases alusivas ao Carnaval não foi tarefa fácil. Talvez por ser um data essencialmente festiva, não motiva a indignação ou a tristeza por parte das pessoas – e todos sabemos que as pinturas de rua são mais um catalizador para aliviar os males de que a alma ou o Mundo pacedem do que para expressar o contentamento – , pelo que há um défice de produção dedicada ao assunto. Apesar de o Carnaval ser uma coisa que não me assiste – hoje voltei a ser brindado na rua com os eternos disfarces de princesas, super-homens e espanholas que estão na moda por esta época há seguramente 25 anos – seria de mau tom deixar de fora a data. Não terá sido feito por alturas do Carnaval, mas há alusão a disfarces: um José Sócrates com um chapéu de joker encontrado meio à socapa numa concorrida rua lisboeta, certamente a querer apontar mais à sua vertente de entertaineur das massas quando as coisas corriam pior do que às vantagens que podem advir de ter um joker num jogo de cartas. Passos Coelho ainda não foi brindado com stencils de tal gabarito, mas certamente que ainda irá a tempo.

A entrada da estação

Quem utiliza regularmente a estação de Santa Apolónia, em Lisboa, estará certamente a par de uma certa falta de funcionalidade para ali entrar. Uma estação com tal dimensão tem apenas uma entrada, o que obriga muitas pessoas a um esforço pedonal de várias centenas de metros todos os dias, apenas por não existirem mais entradas que não a principal. Há aqui uma espécie de imposição a um exercício físico adicional. Dir-me-ão que o exercício físico é bom para a saúde e eu concordo. No entanto, sendo este um edifício público, faria sentido criar melhores condições de acesso. Por isso, já foram feitos vários apelos à CP para que se construíssem duas entradas, uma virada para o rio e outra do lado oposto. Até agora, esses apelos caíram em saco roto, tendo o único contributo – simbólico, entenda-se – para esse apelo sido dado pelo desenho de uma entrada para a estação, ao que alguém adicionou uma seta, sugerindo aos transeuntes subirem os muros. Pelo menos lá se encontra um certo lado cómico no meio de tudo isto.

Pieguices

Pedro Passos Coelho, no seu peculiar estilo de galvanizar a Nação nestes tempos conturbados, lançou recentemente o apelo aos portugueses, para que deixassem de ser piegas, possivelmente a deixar um recado também a Cavaco Silva, que se queixava do valor da sua reforma. Este apelo sui generis, lançado num país onde a população aguenta de forma quase estóica os sucessivos cortes, teve provavelmente a reação mais natural escrita por alguém no Martim Moniz.

Um agradecimento ao blogue Spectrum, pela dica em relação à localização desta prosa.

O Tony Carreira que pague a crise

Por estas alturas, vão-se discutindo as fórmulas para se sair da crise, faltando apenas fazer a escolha entre quem serão os sacrificados, se a classe média, os empresários, os funcionários públicos ou os políticos. Fórmulas mágicas à parte, é imperativo que os grandes ícones nacionais ajudem também eles a dar o exemplo e dêm o seu contributo, tal como é sugerido nesta inspirada frase, pedindo que Tony Carreira seja responsável pela resolução da crise. E aqui não falamos certamente de dilemas existenciais, mas da crise económica propriamente dita.