Citando Luís de Camões

Na senda das citações dos grandes autores portugueses – afinal de contas, quando não temos nada de extraordinariamente original para dizer, podemos sempre escrevinhar na parede o que os grandes nomes das Letras de Portugal fizeram, que não vem daí nenhum mal ao Mundo -, desta vez “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Luís de Camões, o primeiro verso do seu homónimo que exorta à mudança e à constante renovação. Uma frase que vem sempre à liça quando se pretende cortar com o passado e rumar noutro sentido, seja connosco mesmos, com o país ou o Mundo em geral. Os mais atentos à canção feita em Português também conhecerão por ter sido cantado por José Mário Branco.

Os culpados (versão 2.0)

Os mais atentos recordar-se-ão deste post, em que são apontados os culpados dos últimos anos pela situação do país, atribuindo aos três anteriores primeiros-ministros – Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates – o mesmo epíteto. Seria uma questão de tempo até Passos Coelho ser chamado à berlinda. Seguramente há menos de uma semana, o atual detentor do cargo passou a constar neste muro da indignação. Sem direito a mais nem a menos insultos.

Por preguiça

O facto de não ser um assíduo leitor de revistas femininas faz de mim um indivíduo pouco avalizado para vir mandar bitaites sobre felicidade. Daquilo que vou ouvindo em conversas de café e em posts de outras pessoas no Facebook, o facto é que este conceito é de tal maneira lato que pode ir desde uma tarde bem passada na praia até ao nascimento de um filho, passando por uma vitória folgada do Benfica. Cada um terá alguma ideia sobre o assunto na cabeça, certamente.

O testemunho dado neste muro lisboeta, sob a forma de um eloquente “Só sou feliz por preguiça!”, é um contributo válido para discutir o assunto e remete para a simplicidade do conceito. Afinal de contas, dá trabalho ser infeliz, até porque todos nós sabemos que quanto mais se complica a vida, mais hipóteses existem de as coisas correrem mal. Esta declaração vira a equação ao contrário: a preguiça por não querer complicar o que seria simples redunda num ser humano, lá está, feliz. Haja a quem a vida corre bem.

Juicy

Um tipo apercebe-se de que começa a saber um pouco mais de arte de rua do que as outras pessoas, a partir do momento em que olha para algo pintado numa parede e consegue saber quem o fez. Quando fotografei este suculento gelado – que até é o doce que eu menos aprecio – numa parede lisboeta, imediatamente o associei a uma artista sobre a qual já tinha lido uns artigos na Internet, com uma carreira de alguns anos nas pinturas de rua, com passagens até pela Palestina, e que tinha começado há alguns anos a pintar gelados, bolos e outros alimentos calóricos pela capital. A artista chama-se Maria Imaginário e entretanto os seus temas foram mudando e o seu raio de ação em termos de espaço também se foi alargando. A ler aqui.

Greve geral até ao Carnaval

Na véspera de mais uma greve geral, é relevante recordar o que vemos escrito nas paredes sobre o assunto. Por norma, escrito num tom a incitar à participação no protesto e mostrando que esse é o caminho para evitar o descalabro. Ainda assim, nenhum tão ambicioso como o que foi escrito aquando da anterior greve geral, a 24 de Novembro, que lançava o mote para uma paralisação até ao período do Carnaval. “Greve geral até ao Carnaval” é um slogan agradável ao ouvido, mas a ideia acabou por não ter grande eco e confinou-se a uma parede lisboeta, no meio de uma ou outra prosa apelando à indignação da Nação.

O Passos Coelho e o Goucha que paguem a crise

Na senda do apelo aos grandes nomes da Nação para que carreguem aos ombros a responsabilidade pela resolução da crise, importa citar outros dois nomes importantes: Pedro Passos Coelho e Manuel Luís Goucha, oportunamente recordados neste mural. Se parece evidente que o primeiro, por ser o Primeiro-Ministro, tem nas mãos a possibilidade e a responsabilidade de dar o seu contributo para inverter as coisas, já no caso do apresentador televisivo tais tarefas são menos evidentes. É um exercício difícil tentar aferir como Goucha poderia virar a crise do avesso, mas não me sai da cabeça a uma imagem em que os seus habituais casacos com cornucópias e as cores berrantes da restante indumentária são os uniformes para uma espécie de milícia de protesto que andaria por essas estradas a fora a exigir um futuro mais próspero.

José Sócrates e a gripe A

Chegará o tempo em que invocar frases dedicadas a José Sócrates soará a algo um tanto ou quanto datado (tal como as críticas ao Governo da primeira AD ou ao pedido de demissão do Primeiro-Ministro Mário Soares). No entanto, é imperioso reconhecer que ele é o protagonista de muitas boas frases escritas por essa Lisboa (desconheço a produção dedicada ao antigo Primeiro-Ministro fora da capital, mas certamente que a haverá). Longe de mim dizer que esta frase está totalmente provida de sentido ou que haverá uma crítica à política seguida pelos governos que chefiou, mas certamente que quem o escreveu estaria descontente com o rumo das coisas. Ajuda à festa a evocação da gripe A, essa sim um assunto que parece já fazer parte dos arquivos. Mas, ao contrário do que aqui é escrito, não consta que Sócrates tivesse padecido desta doença.