Violência conjugal

Quando falamos em séries animadas que giram à volta de famílias, os membros femininos do casal protagonista acabam por ter papéis ingratos. Pensando em séries como os Simpsons e Family Guy, se ao homem é dado o papel de mentor do muito de cómico que ali se regista, ao passo que à mulher é atribuído o papel de dona de casa, que depende do rendimento do marido e que terá passado ao lado de uma atividade mais estimulante do que passar os dias a tratar dos filhos, que maioritariamente até passam o dia na escola. Esta cena de violência doméstica, em que Homer Simpson esgana a bom esganar a mulher Marge, seria uma espécie de última etapa desta espécie de disfuncionalidade de papéis. Felizmente (mesmo tratando-se de desenhos animados) não passa de uma pintura numa parede lisboeta.

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Altruísmo

É possível que esta mensagem tivesse um destinatário definido: a avaliar pela imagética e pelo seu conteúdo, provavelmente estaria destinada a um casal desavindo, a quem uma terceira pessoa desejaria que as coisas começassem a correr melhor daí para a frente. Assim sendo, não deixa de ser importante sublinhar o altruísmo e o bom coração de quem foi além de expressar verbalmente esse desejo, deixando-o por escrito. O mundo precisa obviamente de pessoas que desejem tudo de bom a terceiros, sem pedir nada em troca. Haja quem ainda o faça.

Sustentabilidade da Segurança Social

Nem sempre as questões relativas à sustentabilidade da Segurança Social têm sido alvo do grande debate que mereciam. Certo é que aquilo que era garantido há algumas décadas atrás – que qualquer cidadão com um período mínimo de descontos teria direito à sua reforma sem perder rendimentos e ainda a tempo de usufruir da mesma durante um tempo considerável – cada vez surge mais como uma miragem. Razões para o esvaziamento da verba da Segurança Social parecem não faltar – envelhecimento da população, diminuição do número de pessoas ativas a trabalhar e consequente aumento de beneficiários de subsídios ou modelos de cálculo de pensões generosos tendo em conta o total da carreira contributiva – mas algures neste muro alguém terá exposto a sua argumentação de outra forma. Neste caso, não se trata de nenhum dos fatores que enumerei, devendo todas as culpas ser atribuídas a Passos Coelho, que ao que parece tem andado a apropriar-se dos nossos descontos para proveito próprio, perpetuando toda uma atitude de ladroagem. Há falta de verbas para reformas e pensões? O problema está identificado. E, pelos vistos, o responsável também.

Mundial de 94

Continuando na saga de graffitis dedicados a mascotes dos mundiais de futebol, é tempo de evocar o Mundial de 1994. Esta competição realizou-se nos Estados Unidos, país conhecido por fazer parte do pequeno grupo de nações onde o futebol não é efetivamente o desporto-rei. Para quem se dedica pouco à memória das grandes competições, aqui vão umas achegas: jogos praticados em condições proibitivas (às horas locais de maior calor, que andou muitas vezes acima do 35 graus), a vitória do Brasil após uns penáltis em que Roberto Baggio foi o protagonista pela negativa, a afirmação da dupla de avançados Romário-Bebeto, as surpresas protagonizadas pela Suécia e pela Bulgária, Maradona apanhado num escândalo com doping, Yekini a festejar um golo agarrado às redes e a primeira vez que a seleção norte-americana passaria uma fase de grupos. E, já agora, um cão chamado Stryker, que seria a mascote da competição e tema para um graffiti em Lisboa.

No Ensino Primário

Ainda que sejam atualmente férias escolares, o tema Educação nunca perde pertinência. Não aqui por este blogue – porque até agora nunca dei especial atenção ao tema – mas pela sociedade em geral. Excetuando as pinturas feitas pelos alunos do Ensino Superior, é um tema que não motivará grandes exacerbamentos e, por inerência, a pintura nos muros. Toda esta Sociologia da poesia mural acarreta, ainda assim, uma janela de oportunidade para exceções. Como o caso deste escrito, no exterior de uma escola primária. Que fique registado: não há insultos ao Governo, à tutela da pasta, à direção da escola, nem sequer a nenhum professor em particular. A professora Susana terá certamente corado de vergonha – no bom sentido do termo – ao ler uma coisa destas escrita num muro. Haja pessoas com razões para sorrir.

Do falar ao fazer

Diz a sabedoria popular – e todos sabemos o quanto esta é provida de razão e de saber de experiências feito – que entre falar e fazer há muito que dizer, provérbio esse dedicado a todos os bem-falantes cuja capacidade para o verbo é inversamente proporcional às competências para executar aquilo que dizem. Basta pensar nas campanhas eleitorais e no que é depois feito ou, se quisermos olhar para um nível mais pessoal, para as resoluções que se fazem no início de cada ano ou quando a idade atinge um número mais redondo. Este escrito, precisamente readaptando esse provérbio, só confirma essa mesma tese.

A velha escola siciliana

Uma das mais contundentes prosas que li aqui pela Internet nos últimos tempos foi escrita pelo rapper Valete, a propósito de Miguel Relvas, em que o compara aos mafiosos sicilianos old school, daqueles que nos habituámos a ver nos filmes e cujos tentáculos iam para além dos meros negócios fora da lei, abraçando Igreja, Política ou serviços públicos.

O texto foi inicialmente publicado no Facebook do Ipsílon (suplemento do jornal Público), mas acabou por ser apagado mais tarde, por ser considerado «uma “explosão” iminentemente pessoal e excede a forma como nos devemos colocar no debate público». O texto segue em baixo e o graffiti aqui publicado é a homenagem a essas figuras ímpares da criminalidade, que uma ilha italiana exportou para os Estados Unidos.

“Às vezes oiço alguns manos que traficam umas substâncias ilegais que mal dá pa’ fazerem 1000 euros por mês a auto-intitularem-se de Gangsters.
Inspirados por filmes de bairros étnicos norte americanos, pavoneiam-se insuflados sem a mínima noção da sua pequenez e da sua condição de vítimas.
Se querem inspirar-se com reais figuras do Gangsterismo, inspirem-se em Miguel Relvas. Certamente não dos maiores G’s do nosso país, mas pelo menos o G mais “ que sa foda”. Relvas é sem dúvida o governante mais street que eu conheci em Portugal.
– Coordenou os Serviços Secretos para espiarem a vida de personagens importantes ( empresários, políticos, jornalistas etc) da vida pública nacional quando ainda nem sequer era Ministro. Nem fazia parte do Governo e já recebia informação sobre tudo o que se fazia nos Serviços Secretos. Nem fazia parte do Governo e já coordenava aquela merda toda.
Chantageou e ameaçou uma jornalista do público para que esta não publicasse uma notícia a seu respeito e ainda foi absolvido pela ERC ( suposto órgão de regulação da comunicação social) , o que deu a entender que foi a jornalista que fabricou aquela história toda.
Demitiu Pedro Rosa Mendes da Antena 1 porque este na sua crónica semanal, fez o relato mais real e fidedigno sobre o regime angolano.
Orquestrou a ascensão de Passos Coelho a líder do PSD, com vários esquemas e sub- esquemas de bastidores dentro do partido.
Tentou desviar verbas comunitárias para a empresa de Passos Coelho, querendo forçar os arquitectos municipais a fazerem lá formação como contou Helena Roseta.
Faz licenciaturas num ano. Já lhe chamam a turbo-licenciatura.
É amigo pessoal de alguns dos maiores Gangsters do Regime Angolano.
Tem quase toda a comunicação social na mão ( Graças a “Deus” que não é toda) , porque está a gerir o processo de privatização da RTP, quando se sabe que não há mercado publicitário em Portugal para sustentar 3 canais privados em regime aberto. O que está a fazer com que o grupo “Impresa” e o grupo “Media Capital” andem cheio de medo do que vai fazer o Sr relvas.
Conhecido durante anos por ser o chibo do PSD ( e não só) que fornecia aos jornais quase todas as notícias chocantes sobre o partido ( e não só), para foder alguns companheiros de partido ( e não só) e para catapultar outros.
A minha admiração por Relvas é porque ele ainda é um Gangster à antiga como os G’s sicilianos do século 19, cujo o controlo e o poder era tanto que não tinham problema nenhum em dar a cara. Hoje a maioria dos G’s mais pesados nunca os vimos, escondem-se. Relvas ‘tá-se a cagar – siciliano old school. Toda a gente sabe que é um G, toda a gente sabe que é sujo, mas ele ‘tá-se a cagar. Continua aí.
Que sa foda style.”