“Beat’ a llicious”

Um mix de um gelado, aparentando conter generosas quantidades de calorias, com o imaginário dos tijolos popularizados nos anos 80. Não tendo maneira de o confirmar, arrisco dizer que a autoria será também de Maria Imaginário, que já foi referida neste post.

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Fazer as malas

É voz corrente que, quando as pessoas pouco têm a perder num determinado sítio, a probabilidade de rumarem a outro poderá ser maior. Saber o que vai na cabeça de alguém que ruma para outro lugar que não o seu é um exercício que tanto pode ter de óbvio como obrigar a equações difíceis para terceiros. Este repto escrito à entrada de uma conhecida instituição de ensino superior lisboeta parece ter um recetor bem definido, que certamente não terá dificuldades em saber quem lhe escreveu isto. Não sabendo quem estas pessoas são, saber se o apelo teve resposta positiva é uma tarefa difícil, ainda para mais com uma espontaneidade que salta à vista. Ainda assim, saúde-se o entusiasmo juvenil, por parte de duas pessoas que, pelo menos no capítulo dos desejos escritos em paredes públicas, parecem ter mais a ganhar do que a perder

Expectativas para 2012/13

Deixando de lado qualquer tipo de imparcialidade clubística – afinal de contas, o Vozes da Rua é um blogue pessoal e não qualquer tipo de espaço que obedeça a uma deontologia profissional – é tempo de exprimir os desejos para a nova temporada futebolística. Sendo simpatizante do Benfica, naturalmente que as expectativas são as de chegar à 30ª jornada da primeira Liga no primeiro lugar. Essa expectativa não se baseia em exclusivo em qualquer tipo de análise futebolística aprofundada – que vai da qualidade dos plantéis até à capacidade de gestão de recursos por Jorge Jesus, passando pelas decisões do Pedro Proença – , mas passa também pela simples crença de que o clube pelo qual o coração torce pode acabar por ganhar o título. Afinal de contas, nada de especial, mesmo tendo em conta a qualidade dos plantéis nos tempos de Manuel Damásio e de Vale e Azevedo, que não impediam o comum adepto e simpatizante de ter confiança no título no final da época. Não haverá certamente melhor imagem de Cosme Damião, uns fundadores do Benfica, para o ilustrar. Agora é acreditar.

Olímpicos

Terminam hoje os Jogos Olímpicos de Londres. Goste-se ou não, é um facto que este é o evento desportivo mais importante à escala Mundial e é nestas competições que se escreve grande parte da História do desporto. Também este ano decorreram alguns factos para mais tarde recordar, como o recorde de medalhas conseguidas por um só atleta em todas as competições olímpicas – Michael Phelps – , a brilhante prova de natação de uma chinesa de… 16 anos ou a elevação de alguns atletas a uma escala que parecem desafiar os limites do ser humano, como os tempos de Usain Bolt nas provas de velocidade. Certamente não haveria dia melhor para postar este graffiti dedicado aos Jogos Olímpicos, precisamente no Estádio Universitário de Lisboa. Daqui a quatro anos há mais.

O hip-hop

Pelos tímpanos de quem escreve este blogue não é muito habitual correr o hip-hop, mas há ainda assim o reconhecimento da riqueza e da importância do género para a música popular. Nem sempre temos razões para achar que não há razão para nos envergonharmos em comparação com o que se faz lá fora, mas neste género musical fica a perceção que só a língua nos impede de tornar conhecido no estrangeiro o que se faz por cá, basta atentar em nomes como Sam the Kid ou Dealema ou, do outro lado do Atlântico, um senhor chamado Marcelo D2. Este stencil, que segue a iconografia utilizada para declarações de amor a cidades, foi captado em Dublin. Desconheço a produção de hip-hop num país mais conhecido por violinos e pífaros, mas é sempre bom dar a conhecer ao mundo aquilo de que se gosta.

O enguiço da Democracia

Diz a a História que a Democracia, com todos os seus defeitos, acaba por ser o menos mau dos sistemas, pelo menos daqueles que até hoje foram usados para governar países. Embora partindo de um princípio razoável – o de que, não podendo todos os cidadãos ser efetivamente detentores de cargos de poder, façam uma delegação desse poder em quem mais se identificam – está evidentemente sujeita a falhas e a enguiços. Esses receios sobre um certo enguiço da Democracia fazem sentido e até podemos pensar em Portugal. Razões? Várias: uma elite política inserida numa promíscua oligarquia por onde gravitam e se confundem vários interesses – a alta finança, os bancos, as grandes empresas ou outros lóbis de peso, como a construção -, uma sociedade civil remetida mais para as conversas de café do que para uma efetiva participação cívica ou uma espécie de forças que se sobrepõem ao próprio poder político, como seja o facto de os destinos deste país estarem em parte entregues à tão propalada Troika, que, não sendo eleita democraticamente, acaba por ter mais poder do que aqueles que, mal ou bem, o foram. Sendo assim, este irónico stencil com Salazar – ele próprio a antítese de qualquer sistema democrático – acaba por refletir que a nossa Democracia já teve dias mais felizes.

Condição financeira

Este stencil, no qual parece constar uma espécie de Zé Povinho dos tempos modernos, parece infelizmente ser uma imagem cada vez mais fidedigna daquilo que a população está a passar. Este Zé Povinho apanhado de costas, a mostrar os bolsos vazios, em vez de lançar manguitos com uma expressão matreira, poderia ser no fundo cada um de nós. A tão propalada crise e os seus “danos colaterais” – como a entrada em vigor de um novo código laboral no dia de ontem, sem que se justificasse por A + B como tal irá virar o rumo da crise ao contrário – parecem não dar grande margem para mais: ao português comum resta mostrar os bolsos vazios e dizer que nem ali há dinheiro. E em Inglês, para que quem por cá está de visita também fique a saber.