Mergulhar

Esta frase, se levada à letra enquanto regra para a prática de Natação, não fará muito sentido e servirá para se criar alguma espécie de trauma para qualquer exercício dentro de água. No entanto, é uma metáfora interessante para as situações em que nos colocamos perante cenários que por si só representam obstáculos que julgamos não ser capazes de ultrapassar, sem pensar muito no que sucederá a seguir. Um raciocínio que se aplica obviamente às mais várias dimensões da vida.

Sentido proibido

Para alguém que, como eu, presta um pouco mais de atenção ao que se vê pelas ruas das cidades, em comparação com o comum mortal, há um facto que importa realçar: em matéria de apropriação indevida de sinais de trânsito, Portugal ainda não está no ponto. Não estou com isto a dizer que isso é forçosamente mau, já que aqui falamos de material que tem funções básicas na vida comunitária e na segurança rodoviária, pelo que pegar nele para outros fins é algo que estará para muitos para lá da linha do admissível. Por isso, é sempre com aquele sentimento de novidade que vejo noutras paragens – neste caso, em Paris – alguém dar um toque de originalidade a um sinal de sentido proibido, aparentemente sem grande dano no tráfego urbano e até se poder gabar de ver esta imagem repetida por vários pontos da cidade.

CDS/PP

Notícias dos últimos dias dão conta de alguns problemas no seio da coligação PSD/CDS, alegadamente porque as mudanças na TSU terão sido decididas sem que os populares dessem o seu acordo. Verdade ou não, o certo é que estas medidas entrariam – uso este tempo verbal, porque à data a que escrevo estas linhas, ainda não se sabe se o Governo recua ou não na medida, face aos recentes protestos – no raio de ação de um ministério tutelado pelo CDS, precisamente a Segurança Social, pelo que causa estranheza que não tivessem sabido de nada antecipadamente. Talvez por isso, é um bom dia para postar este mural indignado sobre o partido que já foi democrata-cristão, liberal, conservador, euro-céptico, “euro-calmo” e outros rótulos da Ciência Política Moderna. Todavia, quem escreveu estas linhas foi mais prático na sua análise.

Novo ano letivo

Por estes dias começa mais um ano letivo nas escolas portuguesas. Não partilho de sentimentos nostálgicos em relação ao tempo em que andava na escola, mas recordo estes dias como sendo de algum nervoso miudinho, sobretudo quando havia uma mudança de estabelecimento de ensino, o que levava sempre a imaginar o novo mundo que se iria abrir, sentimento devidamente compensado em todos os outros inícios de anos letivos, em que estes dias proporcionariam um sempre desejável reencontro. Este simpático boneco, de roupa desportiva mas com os famosos TPC nas mãos, fotografado nos muros de uma escola lisboeta capta o espírito destes locais: sítios onde se pode estar bem e fazer e reforçar amizades, mas onde, afinal de contas, algumas responsabilidades também vêm por arrasto. Afinal de contas, mais cedo ou mais tarde, a fatura do que de bom e mau se faz por aquelas alturas, acaba por nos ser apresentada.

O dia

Os visitantes mais assíduos deste blogue terão certamente notado a quase ausência de atividade durante as últimas três semanas. Tal não se deveu a nenhuma crise de criatividade ou ao fim do meu arquivo de fotografias com que o blogue se alimenta, mas tão somente ao facto de ter estado de férias durante este período. Enfim, vicissitudes de blogues feitos apenas por uma pessoa. Posso, no entanto, assegurar que o Vozes da Rua retomará a sua produção normal a partir de hoje.

Durante as últimas semanas, o país tem andado em convulsão. Quando julgávamos que a corda dos sacrifícios exigidos à Nação já tinha sido devidamente esticada, eis que saiu mais um Coelho da cartola – perdoe-se a piada fácil, mas era inevitável – com a descida da Taxa Social Única para as empresas, recaindo o pagamento no trabalhador, uma medida que teve o mérito de gerar um grande consenso nacional – ao nível de todos os quadrantes político-partidarios, das confederações patronais e também dos sindicatos, dos comentadores – mas ao contrário. Uma medida que até agora não foi aplicada e não se sabe se resultará em Portugal, que parece funcionar como uma espécie de tubo de ensaio da Macro-Economia.

Estavam anunciadas para hoje manifestações em vários pontos do país – talvez demasiados, por favorecerem a dispersão, em detrimento do maior impacto que tais protestos poderiam ter – e no estrangeiro, bem antes de tais medidas terem sido anunciadas. O Governo parece ter dado um bom contributo para este protesto, face às recentes notícias. À hora a que escrevo estas linhas, faltam cinco horas para o início do protesto, mas parece evidente que é nestas alturas que é preciso deixar de lado a indignação de conversas de café, de posts no Facebook ou o anedotário em torno da crise que vivemos e vir para a rua. A Democracia, afinal de contas, também é isso.

O mamarracho moscavidense

Este blogue aprecia um certo lirismo estampado nos muros, mas reconhece que é também importante dar valor a quem produz prosa com pouca margem para segundas interpretações. É o caso desta eloquente expressão de indignação de cariz urbanístico, mesmo às portas de Lisboa. O mamarracho – ou “mamrracho”, como foi aqui batizado – é obra da EDP na mais concorrida avenida em Moscavide. Quaisquer vantagens funcionais passaram ao lado do indignado autor desta pixagem, certamente mais preocupado com o impacto negativo na paisagem urbana.