O apelo

Esta é uma das coqueluches da pintura mural lisboeta nos últimos tempos, feita precisamente no espaço da capital que mais está nos escaparates na matéria: a zona das Amoreiras. A imagem é obviamente forte: o apelo à salvação da Pátria, devidamente encarnado por uma criança que apela à Divina Providência para que salve o país das elites que ajudaram a conduzi-lo ao abismo. Nem sempre há lugar para o trascendente em matéria de produção nos muros, mas aqui é bem justificada, num país em que pouco mais resta senão rezar para que se possa salvar. O mote, em tom obviamente pessimista, para o ano novo que começa dentro de dois dias. Até 2013!

Corto Maltese

Antes de mais, as minhas desculpas pela ausência de quase três semanas, que se deveu meramente a problemas de ordem técnica, já que o PC onde comecei por fazer este blogue deixou de funcionar e tive de o substituir por outro, bem mais modernaço.

Não tendo tanto a ver com o espírito consumista que mais marca esta altura, mas com uma certa aura de magia com que somos por vezes contaminados, é sempre bom recordar personagens clássicas de banda desenhada, colocadas em locais de passagem, sem direito a figurarem nos “must-see” das pinturas murais. Caso deste Corto Maltese, personagem de Hugo Pratz, que tinha o condão de transportar os seus leitores para a descoberta de novos mundos, numa altura em que não existiam companhias low-cost ou Internet.

Santo Graal

Não se sabendo ao certo a sua origem – há quem diga que era anterior à última Ceia – o Santo Graal vem regularmente à liça na Cultura Ocidental como representando o expoente da perfeição, sendo que era a razão para uma constante procura, que não se sabia se algum dia iria acabar. Explicações místicas à parte, este mural deixa qualquer tipo de explorações de caráter transcendente para atribuir a todos nós o papel de Santo Graal, o tal que a Humanidade parece andar há tanto tempo à procura e que parece não encontrar. Uma forma interessante de mostrar que aquilo que irá salvar o ser humano será… ele próprio.

Lá bem para trás

Dar de caras com esta imagem suscita de imediato uma panóplia de recordações de tempos em que os computadores eram bem mais arcaicos do que são hoje e onde um sistema operativo poderia bem ser uma coisa com fundo preto e palavras escritas a branco. Certamente menos bonito e com menos funcionalidades, mas mais viável. Estudos comparativos de sistemas operativos à parte, esta pequena intervenção num muro é feita por um coletivo de arte com conotações políticas a operar em França – Random Riot de seu nome – e encontrei-a em Paris.