Gelado

Chegado o Verão, uma espécie de interruptor é ligado e com ele toda uma série de coisas que hibernam no resto do ano ganham vida. Caso das roupas curtas, das idas à praia, dos pratos de caracóis nas esplanadas e, como é exemplificado nesta fotografia, dos gelados. É certo que esta imagem permanece na parede todo o ano, esteja chuva ou sol, frio ou calor, mas é inevitável associá-la aos dias mais quentes. E também a verões passados, pois eram muitos os gelados com este formato que se compravam em qualquer café com arca frigorífica da Olá, por qualquer coisa como 100 escudos.

O impossível

Mais uma tarefa árdua se afigura ao tentar saber o que estará na origem desta pintura, um pergunta para a qual provavelmente só o seu autor terá resposta. Uma hipótese plausível será tratar-se de alguém que lançou em algo que julgava ser possível, tendo mais tarde percebido que estaria a tentar algo que o seu esforço não seria capaz de almejar. Haja pessoas capazes de reconhecer as suas limitações, mesmo que não tenham a perceção delas e se lancem sem medos.

Quebrar o consenso

Ontem, o país recebeu a notícia de que a UNESCO reconheceu a Universidade de Coimbra como Património da Humanidade. Naturalmente, uma notícia recebida com maior regozijo por parte de quem por ali vive do que pelo resto do país, relativamente habituado a estas distinções, a que não será alheio o facto de sermos um país carregado de História e ao qual a Divina Providência ofereceu boas paisagens e condições naturais. Sendo que estas candidaturas a almejar reconhecimento externo costumam ser mais ou menos consensuais, também há quem se queira demarcar de tais apelos. Como esta frase escrita precisamente em pleno reduto da Universidade, certamente em pleno período desta candidatura, que acabou por ser bem sucedida. Resta então saber como será a vida dos pintores de muros por estas zonas, após este reconhecimento.

Gato

Numa rua já um pouco fora de mão, é possível encontrar este gato pintado numa parede, havendo em ruas vizinhas outras pinturas parecidas. Uma imagem que me faz recordar o gato de Alice no País das Maravilhas, mas sendo eu pouco entendido em iconografia produzida a partir destes animais, é possível que este seja proveniente de algum filme ou livro que desconheço. Sendo que normalmente os gatos vadios são mais vistos em ruas mais recatadas, a presença desta pintura num beco pouco movimentado acaba por fazer algum sentido.

A justiça

Mesmo não estando nós a viver um momento particularmente feliz da nossa História, é um facto que hoje se vive melhor em Portugal do que há três ou quatro décadas atrás, como atestam quaisquer índices comparativos em relação a acesso por parte da população a cuidados de saúde, à educação ou a proteção social. Ainda assim, há uma área onde parece que a Democracia nunca chegou completamente, precisamente a Justiça. A ideia de uma Justiça igual para todos, em que a condição social ou a capacidade financeira não têm impacto na forma como os cidadãos são tratados perante a lei, é algo que está ainda longe de se concretizar, como atesta a forma diferente como é tratado o assalto num supermercado por um cidadão que se quer alimentar ou um crime de colarinho branco. E é seguindo essa lógica que as palavras de quem escreveu esta frase na parede estão cheias de razão.

Competições de anos passados

Por esta altura, o comum adepto do futebol vai sentindo aquele pequeno vazio existencial, que é a ausência de competições relevantes às quais se dedicar. Embora se deva dizer, em abono da verdade, que essa inexistência de competição é devidamente compensada com o chamado período de defeso, em que vêm à baila toda uma panóplia de notícias sobre os clubes de futebol, nomeadamente o mercado de transferências, seja sob a forma de notícias confirmadas ou pura especulação jornalística. De dois em dois anos, esse vazio deixa de estar presente, dado entrarem em cena as grandes competições de seleções. Se este fosse um ano par, por esta hora estaríamos a deliciar-nos com os primeiros jogos da fase de grupos de um qualquer campeonato da Europa ou do Mundo. Não havendo então torneios internacionais de relevo – a Taça das Confederações fica de parte, sendo uma espécie de torneio de Verão sem grande relevância – resta então a memória de meses de Junho passados. Como 2010, sem lugar a grandes recordações para o futebol português, tendo as boas memórias ficado do lado de lá da fronteira.

O parecer técnico

Não será exagero dizer que dentro de cada português estará um certo espírito de empreiteiro, sempre pronto a alvitrar sobre todo o tipo de construções – desde a casa do vizinho até às grandes obras públicas – , mas também disponível para meter as mãos à obra e tornar possíveis as obras que a sua prodigiosa cabeça concebe – quem não conhece o velho ditame “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce” de Fernando Pessoa. E é inserida nesta segunda dimensão que ganham forma ícones nacionais como as marquises, as casas com azulejos por fora e as pequenas estátuas que ornamentam muitas vivendas por aí. Também seguindo esta velha queda lusa para a construção está o parecer sobre edifícios passíveis de serem demolidos ou remodelados, como neste exemplo de um prédio já abandonado e que terá motivado várias análises técnicas de todos os engenheiros com a quarta classe que por ali passam. Mais assertivo foi quem decidiu escrever qual deveria ser o destino deste prédio. Como se a opinião geral ficasse ali registada, à laia de parecer técnico.