Dias simbólicos da Democracia

Pese embora o ato eleitoral de hoje ser um tanto ou quanto desvalorizado – seja por se realizar a um nível local, bem longe de onde as decisões que mais nos afetam são tomadas, ou pelo estado de desânimo instalado no país face à política -, convém nunca desprezar a importância de datas como a de hoje. E recordar que eleições livres e democráticas são coisa recente, que muitos antes de nós não conheceram, e que o exercício da escolha dos nossos representantes é um direito pelo qual outros deram a vida. E nestes dias simbólicos da Democracia, convém sempre recordar as promessas que ecoavam na sociedade portuguesa logo a seguir ao 25 de abril. Que não são, infelizmente, um direito adquirido para a totalidade da população, mas só por má vontade não se irá reconhecer a evolução que todas estas áreas conheceram nas últimas quatro décadas.

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A gravata

Em mais um post alusivo ao regresso à atividade laboral, a utilização da gravata como uma metáfora para todos os constrangimentos do trabalho. Se é certo que este é um utensílio relativamente comum para muitas pessoas no seu dia-a-dia – seja por uma questão de política de empresa, de apresentação perante os outros ou, pasme-se, por escolha pessoal – também surge como o símbolo do trabalho dos tempos modernos e de tudo quanto de mau este foi trazendo. Bastará apenas alguma atenção aos chavões dos nossos tempos, como produtividade, stress ou empreendedorismo. Fenómenos aqui sintetizados por quem assinou este stencil.

Fora da caixa

Com o regresso à normalidade e à atividade laboral, é altura também de recordar alguns conselhos que são escritos nas paredes e que se podem aplicar ao nosos trabalho e também no dia-a-dia. Um dos mais conhecidos conselhos, e que até assume alguns contornos de clichê, é o chamado “pensar fora da caixa”, que é dado a quem queira mostrar criatividade e espontaneidade no trabalho e fora dele. Uma pesquisa por anúncios de emprego permite, por vezes, ver este requisito como algo importante numa candidatura a certos empregos. É certo que nem todas as profissões darão azo a isso – não se afigura tarefa fácil transpor esta máxima para um escritório de contabilidade ou na portagem de uma auto-estrada – mas a dica aqui fica. E quem decidiu pintalgar esta caixa rodeada por uma lâmpada deu já um primeiro passo.

A maldade

Após uma paragem de três semanas – motivada pelo mais prosaico motivo para interrupção, ou seja, as férias do autor – o Vozes da Rua regressa hoje às atividades. Durante estas três semanas, dois focos têm suscitado a atenção do país: as eleições autárquicas e o regresso às aulas da petizada da Nação. Em relação às eleições, é sintomático que se falem mais nos “cromos” da campanha do que em ideias para melhorar a vida das comunidades locais, mas a rentrée escolar tem sido coisa mais atribulada do que o habitual, de que resultam muitas turmas sem professores e muitos professores sem turmas. Altura boa para recuperar aquilo que se ensina à pequenada como mote para mais uma parede pintalgada. Neste caso, um ensinamento a fazer lembrar o que de mais básico se transmite às crianças desde tenra idade, no que respeita a boas intenções. Sim, sabemos que praticar o mal não é coisa que se faça. E esta frase acrescenta: não só é mau – passe a redundância – como também é feio.