Mudar

Se a vida se encarrega de trazer os mais diversos dissabores e de alterar planos previamente delineados, haverá também quem queira dar uma resposta à altura desses desvios e insista em fazer o seu próprio caminho. Caso de quem se deu ao trabalho de imprimir em papel autocolante este mote e fez questão de o colar no espaço público – neste caso em particular, num terminal multibanco, provavelmente por ser um sítio onde a mensagem acabará inevitavelmente por ser lida por quem o utilize – mostrando que não se dá por vencido/a. Já dizia o António Variações que, não estando satisfeitos com a nossa vida, estamos sempre a tempo de mudar.

O apelo

Não sendo este o blogue ideal para fazer de espaços públicos transformados inadvertidamente em urinóis públicos, seria difícil deixar passar este apelo. Nem mais nem menos que um pilar no meio da rua, com o convite ao transeunte para se sentir confortável e verter águas naquele mesmo espaço. O senso-comum diz que um convite deste tipo só estará escrito porque será exatamente essa a função daquele espaço. Não terá sido certamente obra de um funcionário camarário ou um residente na zona, mas, com todo o respeito por quem ali mora, o incitamento não deixa de ter alguma piada.

A privacidade

Facto adquirido dos tempos modernos no Mundo Ocidental é a perda de privacidade para qualquer pessoa. Seja de forma voluntária – de que a utilização das redes sociais é um bom exemplo – ou sem nos darmos conta, é inegável que a privacidade e o sigilo são coisas cada vez mais difíceis de assegurar. Ao fazer uma chamada, ao pagar uma compra com cartão ou ao visitar determinada loja, estamos a contribuir para uma espécie de monitorização e um relatório dos nossos passos. Esta imagem fala de câmaras instaladas em locais públicos pela Câmara de Lisboa é um exemplo ainda mais refinado desta chaga dos tempos modernos.

A mudança

Mais um apelo à mudança, apanhado meio à socapa por essas ruas. Aqui, extrapolado para todo o Mundo, como se cada um fosse uma espécie de primeira pequena peça de dominó capaz de despoletar toda uma reação em cadeia. Soa a utópico, mas a História mostra que muitas mudanças surgiram da vontade individual de muitas pessoas e tiveram uma repercussão pelo Mundo. O mote está dado, ou melhor, está escrito.

Anonymous

A expressão “Anonymous” saiu de um certo anonimato – passe o paradoxo – na sequência dos protestos que têm vindo a ter lugar nos últimos anos, na sequência da crise financeira e económica que afetou o Mundo Ocidental. Passou então a designar os grupos de pessoas que, seja em protestos de rua ou nas redes sociais, contestavam os políticos, a alta finança ou as grandes instituições internacionais. Neste stencil, a expressão está associada a um homem de gravata, cuja identidade se desconhece. Esta personagem será uma espécie de inimigo sem rosto, um dos muitos que tiveram o engenho para pôr o Mundo de pantanas e a astúcia suficiente para não ter ninguém a bater-lhes à porta a pedir-lhes contas. E é assim que está o Mundo: uma espécie de guerra de classes dos tempos modernos, com uns “Anonymous” à bulha entre eles.

Vidrão

Na grande vaga de pintura dos, outrora meio chochos, vidrões lisboetas, mais um aprumado trabalho, encontrado em plena Avenida da Liberdade. Provavelmente, feita por alguém bastante inspirado e feliz com a vida, querendo mostrar que o amor anda por aí à espreita e em lugares menos óbvios. Ironicamente, o atual executivo foi aquele que deu o maior empurrão a este tipo de intervenções, que estão meio camufladas por estes dias, devido a um protesto perante uma medida desse mesmo executivo camarário.