Einstein

Sendo que a zona das Amoreiras acaba por ser a zona de Lisboa com os graffitis que se tornaram mais conhecidos – basta atentar naqueles “protagonizados” por Angela Merkel e Passos Coelho – , é um facto que acabam por versar a crítica política social – desde os políticos até aos polícias da Nação – ou remetem para a realidade do hip-hop, que acaba por ser estar associada tradicionalmente ao graffiti. Ainda assim, lá vão aparecendo umas exceções, como este Einstein, mostrando que até as grandes mentes da história da Humanidade são suscetíveis de serem pintadas nos muros das cidades.

Ar condicionado

Regressando às frases indignadas, este alerta bastante assertivo a propósito dos perigos do ar condicionado. Algo que traz muitas comodidades, permitindo recriar nos interiores as condições climatéricas que gostaríamos de ter no exterior, mas que também traz consigo vários perigos, desde a maior propensão às gripes acabando em vírus mais tramados, com consequências mais danosas. Aqui, haverá certamente a intenção de alertar para os perigos da vida moderna, seja aquilo a que estamos sujeitos no trabalho mas também nos espaços de lazer, de uma forma – e nunca é demais dizê-lo – extremamente irada.

A justiça

Quem tenha estado atento à atualidade nacional nas últimas semanas certamente terá ficado a conhecer as bizarras notícias que davam conta da possível prescrição das ações movidas contras os senhores da Banca nacional – João Rendeiro, Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa -, que poderá ser possível graças a engenhosos expedientes judiciais. Expedientes esses que acabam por arrastar infinitamente os processos, deixando no ar que quem tem dinheiro tem mais hipótese de fugir à Justiça do que o comum cidadão. Situações que deixam no ar um cheiro a injustiça, que justificam murais como este.

A bebida

Se uns se viciam em vinho, outros em bebidas brancas e haverá até quem tenha o vício de uma qualquer aguardente bagaceira ou outras bebidas boas para o espírito, haverá quem se confesse viciado em tintas de pintar paredes, como se de algo essencial ao equilíbrio do corpo e da mente se tratasse. É precisamente isso que é aqui relatado, certamente por alguém que terá pintado bastante mais coisas do que esta inocente caixa de eletricidade (peço desculpa se esse não é o termo exato). Haja então vícios que fazem bem à alma.

Walkman

Regressando aos graffitis da capital, oportunidade também de recordar imagens características de décadas passadas, como o célebre Walkman, que esteve nos anos 80 como o smartphone (salvaguardando as devidas distâncias) está para os dias de hoje, ou seja, um objeto que vai para além da mera utilidade tecnológica e conseguem ser ícones do seu tempo. O walkman poderia então proporcionar uma dimensão pessoal no espaço coletivo, ou seja, não importa o sítio onde estivéssemos, saberíamos que poderíamos ouvir a música que quiséssemos. O que hoje, num leitor de mp3 ou num telemóvel, se consegue com toques, antigamente levava alguns minutos, graças a algo tão extraordinário como o rebobinar de uma cassete que poderia levar até – pasme-se – 90 minutos de música.

Sem medo

Uma espécie de auto-homenagem pintalgada nestas paredes. O autor faz quase um auto-retrato, mostrando um jovem a pintar uma parede, mas afirmando-se sem medos de qualquer espécie. Um mostrar de posição e, porque não dizê-lo, a lançar o repto para que outros façam o mesmo. Coincidência ou talvez não, a parede onde foi possível tirar esta fotografia também permitiu tirar outras tantas.

A calçada

Entre as maiores idiossincrasias lusitanas, conta-se inevitavelmente a calçada portuguesa. Uma forma original de criar um passeio, recorrendo a pequenas pedras e com a ajuda de laboriosos trabalhadores, que certamente não existem em lado mais nenhum no mundo – certamente que “calceteiro” estará entre as palavras mais intraduzíveis do nosso Português – e que ajuda muitas vezes a dar um certo cunho artístico e a fazer de uma calçada mais do que um sítio de passagem. Recentemente, a autarquia lisboeta lá foi lembrando os seus inconvenientes e deu o alerta de que esta poderá desaparecer de muitas zonas da cidade, sobretudo aquelas de mais difícil acesso e as que estão fora de circuitos turísticos. Longe de querer lançar uma discussão sobre o tema, resta-me apresentar esta foto de alguém que genuinamente quer proteger a calçada portuguesa, ou apenas alguns pedaços dela, seja dos cães, dos carros ou de algum vandalismo mais gratuito. Tudo isto é, de facto, muito bonito.