A guerra

Não é preciso ser o Nuno Rogeiro para saber que grande parte da História da Humanidade se fez nos campos de batalha por esse mundo fora, estando relativamente vivos na nossa memória histórica alguns conflitos particularmente gravosos para Portugal ou para todo o Mundo. Ainda hoje, as disputas militares constituem uma forma bastante expedita de resolver questões de ordem geopolítica, política ou religiosa, que, aliadas a fortes lóbis, como o das indústrias do armamamento ou da exploração de recursos naturais, mostram que os interesses do grosso das populações do mundo são regularmente postos de parte. Algo que o cidadão comum deveria, naturalmente, repudir, tal como fez o autor desta frase.

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Cavaco

Um dos dados relativamente adquiridos da Democracia Portuguesa prende-se com o primeiro lugar nos índices de popularidades dos titulares dos cargos políticos. Se os líderes dos governos e do principal partido da Oposição acabavam sempre penalizados, em termos de popularidades, pelas tricas politiqueiras em que se envolviam, o Presidente da República acabava sempre por sair um pouco incólume, face ao suposto estatuto de distância em relação aos partidos e ao papel de moderador e de conciliador normalmente associados ao cargo.

Cavaco Silva conseguiu quebrar essa unanimidade, tornando-se provavelmente o mais impopular Presidente da República desde que existe Democracia em Portugal. O segundo mandato tem sido particularmente penoso de assistir, face aos sucessivos apelos – que o próprio sabe que são infrutíferos – ao tão propalado “consenso”, ao afastamento quando a gravidade da situação exige ação e à forma como se tenta distanciar dos políticos, apesar de somar quase duas décadas de atividade política. Tudo razões que, no fundo, legitimam pinturas de paredes como esta.

O Mundial em 98

Por estes dias, vamos vivendo em pleno clima de permanente festa futebolística, face ao que se vai passando no Campeonato do Mundo do Brasil. Prova que tem sido recheada de bons jogos e golos com fartura e, como normalmente acontece nestas competições, com o afirmar da supremacia dos países do mesmo continente onde a competição se disputa. Dias portanto propício para recordar competições passadas, como o Mundial de 98, disputado em França e que foi vencido pela seleção da casa, precisamente contra o país vencedor da edição anterior. Para a história, fica uma equipa nacional composta por jogadores oriundos dos mais diversos pontos do Mundo, um espelho do mosaico populacional daquele país. Há 16 anos atrás, esta competição – a primeira a ser jogada por 32 equipas – ficaria também para a história a surpresa protagonizada pela Croácia, terceira classificada na competição.

A discussão

O período de euforia futebolística que agora se inicia não é o mais propício para a discussão e debate de política, em virtude de a atenção ser direcionada mais para os pontapés na bola do que para o debate sobre o estado do país. Ainda assim, para além do braço-de-ferro entre o Governo e o Tribunal Constitucional, também a disputa interna no PS vai fazendo correr tinta nos jornais, opondo o estilo “Vou-me deixar estar aqui quieto, a ver se ninguém repara em mim” de António José Seguro ao “A ver se me ponho ao fresco e tiro o gajo de lá, que oportunidades destas não surgem todo os dias” de António Costa. No meio de toda esta discussão, será conveniente recordar que, não obstante estar na Oposição, o PS partilha culpas com quem está atualmente no Governo, em relação aos males recentes deste país e seria importante que o debate interno se fizesse sem renegar culpas no passado, para evitar novos contratempos no futuro. Daí que estas acusações não sejam vazias de sentido.

A alma

Para além de ser a única obra de Fernando Pessoa publicada enquanto este foi vivo, “A Mensagem” é provavelmente aquela em que é melhor retratada a História de Portugal, com as lições do passado a poderem servir de mote para o futuro. Como se não bastasse, dali saíram expressões que acabariam por ser usadas na linguagem do dia-a-dia – daquelas expressões que já estão enraizadas no inconsciente coletivo, mesmo que nem sempre se saiba a respetiva autoria – como este “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, dedicado à aventura dos Descobrimentos. A frase foi escrita no último século, é verdade, mas não deixa de ter atualidade, seja para as pequenas coisas do dia-a-dia ou para os grandes empreendimentos da Nação. E alma pequena é coisa que, infelizmente, tem abundado por este país.