O verde

A questão, apelando a uma espécie de introspecção, no que respeita ao lado verde de cada um. Aqui, não como uma espécie de super-poder a remeter para uma série de ficção científica, mas para a consciência ambiental. Sendo certo que esta é uma preocupação mais presente do que há duas ou três décadas – para não falar dos períodos em que o assunto não estava minimanente na agenda – seja ao nível das grandes decisões internacionais como dos nossos pequenos gestos quotidianos, não é descabido colocar a questão sobre até que ponto o comum cidadão tem ou não uma consciência ambiental a sério e se tal se reflete em coisas como a mobilidade, a forma como reduzimos e reciclamos os desperdícios que geramos ou as escolhas de consumo. Posto isto, não é descabido usarmos esta frase para colocarmos a nós próprios a questão

Neologismos

Também de uns certos neologismos se vai fazendo a recolha de frases escritas por essas paredes fora. Neste caso, pegando em algo que vai para além de um simples género literário, e que acaba expresso num desejo forte que só quem o escreveu poderá explicar. Resta acrescentar que a fotografia foi tirada junto a uma das estações de comboio mais concorridas da capital, sendo que este neologismo poderia visar um entre entre milhares.

Para venda

Não é incomum encontrar, de tempos a tempos, histórias de pessoas que decidem colocar países ou cidades à venda em classificados ou páginas de leilões. Sendo que tal não pode ser feito na prática, tais atos acabam normalmente por funcionar como formas simbólicas de protesto. Quem colocou esta espécie de anúncio numa parede não recorreu a meios tão complexos, mas podemos facilmente concluir que há naquelas linhas algum desânimo perante um país que pouco mais terá para oferecer do que muito sol e boas vistas para o Oceano Atlântico. Pode não ser muito, mas, bem ou mal, será das poucas coisas em que temos vantagem perante outros vizinhos europeus. Argumentos suficientes para alguém ripostar com uma proposta de compra, mesmo ao lado.

A odiar

Depois de uma sequência de posts a apelar ao que de bom pode haver nas pessoas, também faz falta fazer o contra-ponto e apresentar sentimentos opostos. Neste caso, sob a forma de uma caixa da EDP, usada para lançar um grito vindo bem de dentro e com destinatário específico. Uma eloquente mensagem de ódio dirigida a alguém que será transeunte por tal rua, sem direito a explicações mais precisas ou a segundas leituras. Quem a lê, sabendo que lhe é dirigida, ficará certamente transtornado por saber que desperta tais sentimentos nos outros, quem a escreve ficará com a alma um pouco mais aliviada.

Os amigos

Habituámo-nos a ver a evocação da amizade em idades mais precoces sob as formas mais banais, sejam as fotografias para a posteridade, as frases orelhudas a soar a clichê ou por excessos típicos da juventude, recordados mais tarde com um sorriso nos lábios. Ver tais memórias projetadas numa parede pública é mais difícil e por isso merece uma menção. Estes três amigos decidiram aqui ficar para a posteridade – pelo menos, até alguém pegar num balde de tinta e passar tudo por cima – , gabe-se-lhes a coragem e os votos de que não tenham tido tropeções deste então.

Em jeito de promessa

Que há por aí muita malta que faz da pintura de paredes quase um modo de vida, não é novidade para ninguém. Que tal gesto também não é consensual – podendo tanto ser visto como um puro ato de vandalismo até ao altruísmo de querer melhorar para contribuir para o espaço público sem com isso ganhar dinheiro – também parece evidente. O sentimento, em jeito de promessa, do artista que lançou esta promessa escrita numa parede, mostra que haverá quem continuará a pegar insistentemente no spray, nem que para isso se arrisque a uma lesão do foro ortopédico

Uma questão de forma

Faz parte da sabedoria popular o ditado “Quem rima sem querer, é amado sem saber”. Partindo dessa dose de conhecimento, não custa acreditar que andará alguém por tais ruas a rimar – falamos mais em sentido metafórica, a não ser que estejamos a falar de um qualquer jovem adepto de rimas adaptadas ao rap – e que andará alguém, de forma discreta é certo, a contemplar. Não é possível saber se quem se expressou desta maneira numa parede é do sexo feminino ou masculino, podemos apenas concluir que se trata de uma pessoa cujo atrevimento para se confessar é inversamente proporcional à rebeldia de pintalgar uma parede com tal sentimento. Haja coragem, mesmo que não seja demonstrada da forma habitual.