Olhar o Mundo

Desde que me lembro de ser gente, não haverá certamente um único dia em que não tenha ouvido notícias a propósito de conflitos armados por esse mundo fora, facto que ajuda a relativizar os problemas que temos em Portugal, onde os dissabores que enfrentamos serão certamente mais pequenos do que aqueles que assolam muitas outras nações. Outro denominador comum a esta espécie de ebulição constante do Mundo é o envolvimento, direto ou indireto, dos Estados Unidos nesses conflitos, vicissitudes de uma grande potência, que olha para o mapa do Mundo como uns jogadores de Risco olham para o seu tabuleiro de jogo. Por estes dias, tivemos as imagens de um jornalista norte-americano, morto às mãos de um desses grupos extremistas que agrupa religião, política e interesses, mas, que mesmo às portas da morte, não se coibiu de tecer críticas à forma como o seu país gere a sua política externa. Política essa que, não sendo de todo consensual, acaba por gerar uma certa animosidade quando vemos para os conflitos armados nos levam. Como alguém se encarregou de escrever nesta parede.

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O mundo dos mitos

O Cupido, enquanto um dos símbolos do Amor, é algo que sempre nos habituámos a ver fora de um certo mundo mais académico da Mitologia, para podermos usá-lo para situações da vida, mais especificamente para quando duas pessoas se apaixonam. Sempre armado com uma flecha, objeto que lhe dava uma aura bem diferente em comparação com outras figuras da Mitologia. Nesta parede, desenhado de metralhadora em punho, como que a querer impôr-se ao mundo de forma violenta, tal como outros soldados – estes infelizmente de forma bem mais real e menos metafórica – o fazem por esse mundo fora.

Acenar

Nem só de grandes considerações filosóficas, políticas ou amorosas se fazem as pinturas na rua, como não me canso de aqui escrever. Há, por vezes, formas bem mais singelas de fazer a diferença no espaço que é de todos, sem querer mudar o Mundo, mas com intenção de levar o sorriso a quem passa por aquela rua. É o caso desta espécie de fantasma do mundo dos desenhos animados, tecnicamente longe da perfeição, mas pintado com o simples intuito de acenar ao incauto transeunte e dar uns pozinhos de cor num dia cinzento. E não será exagerado dizer que, se esse é o objetivo, então terá sido alcançado

O ano

A pessoa a quem se destina a frase certamente que também já estará recebido a mensagem pessoalmente. Aqui, tem honras de dedicatória por escrito, sem pruridos e vergonhas, para que o resto do Mundo possa saber – e quem sabe partilhar – da felicidade. Expressa com recurso a alguns pontapés na Língua Portuguesa, coisa aparentemente irrelevante para o caso.

A salvação das Nações

Com a instabilidade vivida com a situação no BES – não só pela situação do banco, como pelos riscos sistémicos que qualquer decisão poderia ter – voltou a pairar o fantasma daquilo que motivou a intervenção da Troika a Portugal: o risco de subirem os juros da dívida, o aumento do défice graças à intervenção do Estado. Até agora, parece que o processo de higienização do banco decorre de maneira pacífica, mas é sempre boa altura para recordar o que se escreveu por essas paredes fora sobre o diabo invasor que cá esteve durante os últimos três anos. Aqui, de forma bem mais simpática do que o costume, mas remetendo para uma dimensão espiritual a explicação sobre o verdadeiro salvador das Nações