O lugar

Fotografia tirada numa agitada zona de diversão nocturna da capital, por onde se pintalgaram algumas paredes recorrendo ao mesmo stencil. Por ali, andará certamente alguém que andará amargurado/a com a vida, coisa não improvável na quantidade de pessoas que por lá param. Isto na hipótese de a frase não ter um destinatário em específico, alguém a quem se quis transmitir uma mensagem de esperança. Seja como fôr, esta espécie de transmissão de conhecimento para auto-ajuda não deixa de piscar o olho ao otimismo em zonas mais conhecidas por albergarem transeuntes de copos na mão ou gente no entra-e-sai de bares e discotecas à volta. A vida não há-de ser só desgraças.

Os gangsters do sítio

Em ruas bem longe do nosso país, também se encontra igual vontade de querer mandar bitaites em espaço público, coisa bem mais arrojada quando se tratam de países onde os visados podem não gostar e as leis para condenar tais infrações sejam realmente postas em prática. Neste caso, apesar de se tratar de um país onde as coisas têm andado um pouco agitadas em termos de contestação social – falo de Hong-Kong – , o que aqui está escrito visa os gangsters do sítio. Tendo eu passado por lá apenas como turista, ser-me-á difícil saber se falamos dos políticos da terra, dos meliantes mais organizados ou dos senhores da grande Finança que por lá moram. Assim sendo, fica a cuspidela na cara alheia em forma de frase escrita em Inglês, para os não nativos saberem do que se fala.

O caos

Conheço alguma da obra de José Saramago – o tal que se esperaria que se tornasse um pouco mais consensual depois de morrer, como acontece a tantaas outras figuras, o que ainda não aconteceu – , nunca tive nas mãos a obra “O Homem duplicado”, de onde foi recolhida esta frase. Assim sendo, correndo o risco de tomar a frase um pouco fora do seu contexto e pôr-me a alvitrar sem total conhecimento de causa, resta-me então aconchegar-me na minha ignorância. O termo “caos” nunca tem uma conotação positiva, remetendo sempre para o grau acima de desorganização, aqui haverá quem consiga encontrar uma luz ao fundo do túnel. Pensamento positivo, portanto. E por aqui me fico.

A saída

Tendo em conta a vida atribulada do atual Governo, é difícil não tropeçar, numa qualquer rua, em frases de indignação face ao Executivo que vai tomando conta do país desde há três anos para cá. As notícias que vão sainda sobre eventuais folgas nos impostos – entretanto desmentidas – parecem uma suava melodia que é cantada ao ouvido do pobre cidadão, mas logo este leva mais um choque de realidade com notícias a soar a terceiro-mundismo, como a confusão com a colocação de professores ou os problemas no sistema informático do Ministério da Justiça, coisa estranha num país que se orgulha perante os seus pares de ter marcado pontos na eficiência da sua Administração Pública. Este epíteto não apresenta grandes recursos poéticos ou metáforas de encher o olho, como outros que vão sendo aqui publicados, mas aponta uma possível saída para o mal dos últimos anos do país.

O banqueiro

Notícia por estes dias é a saída de Zeinal Bava da Oi e, por consequência da PT, por nunca ter conseguido descolar-se completamente do furacão que foi a queda da BES. Aquele que era considerado uma das figuras de proa do tão propalado empreendedorismo luso também acabou por ficar ligado a mais um triste episódio envolvendo a banca lusa. Mais uma pequena acha para a fogueira que é a falta de credibilidade no sistema financeiro, que motivam no incauto cidadão a pertinente questão sobre como é possível a instituições tão expeditas a ir buscar dinheiro aos seus clientes, conseguirem perder milhões de uma forma difícil de explicar. A imagem da velha personagem dos Simpsons – Nelson de seu nome -, que tem como imagem de marca o tom de gozo como aponta o dedo aos outros, neste caso a um banqueiro com ar maquiavélico, acaba por não ser muito diferente do que poderia ser a reação de qualquer um de nós.

Ficar

De gente que parte para outras paragens está o Mundo cheio e as malas às costas são quase uma condição humana. Muitos de nós tivemos de, em determinada altura, ir para outros lugares, ou, quando não o fizemos, presenciámos situações deste tipo, motivadas pelas razões mais trivais – quem estuda ou trabalha noutros sítios por não o poder fazer no “seu” local -, por outras que o coração dita ou por uma espécie de chamamento divino. No extremo oposto, aqueles que, mesmo sentindo que até poderiam dar o salto para outras paragens, optam por se manter na sua zona de conforto, mesmo que esta não traga muito. Em tempos meio revoltos como estes, em que vicissitudes várias criaram um êxodo sem precendentes nas últimas décadas, há que também que assinalar aqueles que teimosamente não abandonam o local onde criaram as suas raízes.