Na Grécia

É ainda difícil perceber qual o real impacto dos recentes acontecimentos políticos na Grécia – leia-se, a eleição de um partido que anunciou o fim da rendição do país aos ditames das grandes instituições internacionais, que ajudaram a levar o país para a desgraça económica e social que se conhece – mas fica ao menos a ideia de que ainda há esperança na Democracia quando os cidadãos mostram nas urnas que o seu voto importa mais para os destinos do país do que os poderes obscuros que por ali têm mandado. Logo ali, o berço do tal sistema político que alguém disse ser o pior existente, à exceção de todos os outros.

Dançar

Não subscrevendo o conteúdo de tal frase – levando-a à letra, seria legítimo dançar em momentos como o pagamento do selo do carro, o check-in de um aeroporto ou uma entrevista de emprego – , não será certamento danoso para a minha pessoa que haja quem encontre mil e um motivos para dançar, mesmo que o façam na mais inusitada das ocasiões. Os felizes dançarinos dirão que ajuda a dissipar os males da alma e torna quem o faz mais feliz, funcionando como uma espécie de anti-depressivo sem direito a efeitos secundários. Se é assim, então tudo bem.

O vidrão zangado

Regressando a uma das interessantes inovações do espaço público lisboeta dos últimos anos – os outrora sensaborões vidrões, pintados de forma mais tosca ou mais artística, mas sempre com cada um a ser um exemplar único – , o caso de um vidrão irritado e a roçar a indignação. Seria certamente um bom mote para uns desenhos animados de sensibilização ambiental ver um vidrão chateado com os cidadãos por não cumprirem com os seus deveres de reciclagem do vidro e que os tentaria levar a fazer o contrário, fica a ideia. No caso, o exercício talvez faça algum sentido, visto o espaço em causa estar a ser mais usado, na altura em que fiz a foto, para colocar lixo à volta, como infelizmente sucede com outros espaços do género.

Abrir o coração

Se me perguntassem qual seria a cidade ideal para tirar fotografias para este blogue, exceptuando Lisboa – que, por ser a cidade onde vivo e ter a maior dimensão, me oferece um maior manancial de espaços passíveis de poder fotografar – seria difícil responder, mas poderia afiançar que o facto de ter uma instituição de ensino superior me iria assegurar uma boa oferta de fotografias. Como é o caso desta, que arrisco o meu dedo mindinho que foi escrita por alguém que faz parte da população universitária da cidade, neste caso da Covilhã. Alguém com dificuldade em mostrar sentimentos de peito feito, mas a avançar em pequenos passos. Abrir o coração nem sempre é tarefa fácil, sobretudo numa rua onde passarão centenas de pessoas diariamente.

O turismo

Não é preciso ser um grande especialista em Economia para perceber que o Turismo é hoje um dos grandes motores da Economia lusa. Sejam as praias, as cidades ou as nossas belezas naturais, devidamente temperadas com um bom clima ou boa comida, é inegável que motivos não faltam para sermos visitados por cidadãos de outras paragens. Um mix de acontecimentos – a instabilidade nos países do Norte de África, a intervenção externa que fez Portugal ser falado lá fora, a chegada em força das low cost aos nossos aeroportos – ajudaram a que os números tivessem crescido nos últimos anos. Haverá quem diga que não há desvantagens em tudo isto e também quem diga o contrário, sendo que a tese da descaracterização de certos espaços, em que se transforma algo com o intuito simples de agradar ao turista, não deixa de ser válida. Algo que parece ser recordado nesta parede.

Metáforas

Usar a metáfora da luz e da sombra para se referir a alguma coisa pressupõe a referência a um limiar entre o visível e o invisível, entre o que alguém mostra e aquilo de que só o próprio se apercebe. Aqui a metáfora vai um pouco mais longe, falando-se no jardim do tio do artista da frase e a mijinha de ocasião em tal espaço. É difícil aferir se o jardim do tio existe realmente ou se tal se trata de uma metáfora e se efetivamente serviu para um alívio de bexiga ou então se tal corresponde a algo que, de repente, estará a escapar à compreensão. Assim sendo, fica a confissão escrita numa parede, para o mundo ver.