Descontentamento

Não é possível saber se quem escreveu este apelo de forma tão veemente o fez em sentido figurado ou literal. Ou seja, se desejava apenas o fim do atual Executivo de Passos Coelho ou se queria levar a coisa mais longe e fazer um auto de fé com os membros do Governo em pleno Largo do Rossio. Seja como fôr, e sem saber se o autor de tal indignação escrita foi particularmente lesado com as políticas ultimamente levadas a cabo, fica inequívoco um descontentamento – e aqui talvez o termo até seja algo lisonjeiro para com o Goveno – para com quem nos tem governado nos últimos quatro anos, de forma um pouco radical é certo.

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O espaço público

Parece inequívoco que por estes lados se vai fazendo uma espécie de apologia do preenchimento do espaço público, podendo tal ser confundido com a defesa de uma certa forma de vandalismo ou de outra qualquer bandidagem. Certo é que viver em cidades seria certamente mais aborrecido se por lá não se vissem frases, pinturas e outras coisas que tais, prova factual de que são habitadas por gente com histórias e vivências. E, também por isso, de vez em quando importa evocar esta tese, também recorrendo a quem partilha da mesma opinião, como é aqui o caso.

Violência por todos os poros

Por cima, um stencil que incita à revolta por todos os poros, remetendo para os cenários de protesto e para a violência entre pessoas. Em baixo, escrito, tão simplesmente “Vida”. Não sendo possível saber se os dois estão necessariamente ligados – a lógica diria que o stencil incluiria tudo o que se quisesse dizer, sem recurso ao velho spray – acaba por haver uma certa sintonia, se quem por ali andou andasse revoltado com a vida e encontrasse na violência um escape para tudo isso. Mas tudo isso são suposições, como é evidente.

Dar banho ao cão

Não estará ainda ao nível da nata dos insultos ditos em Português – nomeadamente, aqueles que mencionam a honorabilidade da profissão exercida pela mãe de quem se pretende insultar ou quando se manda o interlocutor a ir para o seu próprio órgão genital – mas não há dúvidas de que quando se manda alguém ir dar banho ao cão, significa que se está realmente irritado com essa pessoa e que a alusão à higiene do canídeo não passa de um detalhe. Assim sendo, estamos perante um verdadeiro insulto escrito numa parede. Não é possível saber o que terá motivado tal frase indignada nem à pessoa a quem se dirige, mas não há dúvidas de que haverá alguém com as orelhas em brasa graças a isto. E não será certamente do tempo mais quente dos últimos dias.

A Tekas

Não sabemos se a Tekas trabalha, se estuda, se está desocupada. Por conseguinte, também não é possível saber os seus horários e se costuma acordar muito cedo todos os dias. Nem tão pouco se sofre de maus humores matinais. No entanto, não será por falta de apoio externo que sairá triste de casa de manhã, pois teve direito a votos de bons dias personalizados e sem direito a imitação – investigação feita no local permite saber que os vizinhos não foram brindados com tão simpática dedicatória.

Pastor

Ainda que perdendo alguma relevância durante as últimas décadas, a pastorícia é uma atividade que ainda persiste em Portugal, razão pela qual não é descabido servir de mote para uma pintura de consideráveis dimensões. Faria pouco sentido deixar tal marca numa rua de uma grande cidade do Litoral, mas quando se fala da Covilhã o caso muda de figura. A velha figura do ancião pastor faz parte do retrato daquela região, ainda para mais numa cidade que se desenvolveu à custa da indústria dos lanifícios. Uma imagem que mostra que tradição e novas formas de expressão artística não têm de estar de costas voltadas.