A luta

Não é preciso recuar muitos anos no tempo para encontrar as emissões televisivas dos “Homens da Luta”, umas personagens que faziam lembrar os revolucionários do tempo do PREC, de megafone em punho e com guitarras, prontos a declarar-se contra a Reação, pela soberania popular e contra os fascistas. Estes personagens televisivos, com uma imagem desfasada no tempo, tinham então como alvos os mesmos personagens revolucionários dos anos 74 e 75, e, para além do célebre “tiririri”, tinham outras frases que ficaram na memória. Este “E o povo, pá?” é uma delas, uma frase, que não obstante ter sido lançada num programa televisivo de entertenimento, não deixa de fazer sentido nos dias que correm, mas que, ao que parece, continua sem resposta.

Lirismos

Espanta como o piropo ou a graçola marialva, como elementos da cultura popular lusa, não estão mais presentes nas paredes por esse país fora. Mas, volta e meia, lá voltamos a lembrar-nos que, por muitas crises e modas que por cá passem, há coisas que o tempo não apaga, quando nos cruzamos com uma cabina telefónica com uma frase destas. Em bom rigor, poderia ser dita por qualquer português, seja um vivaço a querer parecer simpático, o tipo que escreve adágios em pacotes de açúcar ou outro com a mania que é poeta. Acresce que a cabine não foi tomada de assalto para escrever tais coisas, estando inserida num projeto para dar outra côr à mais conhecida avenida do Porto. Dar mais legitimidade a tais lirismos seria difícil.

Hospitalidade

Que Lisboa, tal como o resto do país, é um destino turístico que está na moda, não é novidade para ninguém. Aos poucos, fomo-nos acostumando a ver falar cada vez mais línguas por cada vez mais gente, seja nos transportes, nas zonas de comércio ou nos ditos pontos turísticos. Embora tal fenómeno tenha os seus inconvenientes, como o risco de ver a capital ganhar traços de uma certa “disneylândia” ao querer apontar excessivamente o foco no turismo e perder a própria identidade que ajuda a fomentar esse mesmo turismo, parece mais ou menos consensual que ganhamos mais do que perdemos com tudo isto. A hospitalidade lusa ajuda a ganhar pontos junto de outros povos e isso está presente em todo o lado. Como nesta parede.

Os vampiros

Quando Zeca Afonso escreveu a canção “Vampiros”, em pleno período de ditadura, criticava de forma mais camuflada a corja que ia vivendo à custa do comum cidadão, fossem aqueles que trabalhavam ao serviço do regime ou quem aproveitava as vicissitudes dos tempos para enriquecer. A canção, pasme-se, até saiu cá para fora e não é mentira dizer que se mantém com alguma atualidade. Os vampiros dos tempos de hoje são outros, porventura meio escondidos por entre a complexa organização política e económica dos nossos dias, mas parece que andam por aí. Basta olhar para a novela que se passa na Grécia para o perceber, pegando num exemplo mais do que atual.