O jardim

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Para além de tecnicamente muito bem executada, uma pintura que consegue aliar à beleza à mais fina ironia. Uma criança colhendo flores numa zona que deveria ser o mais próximo possível da ideia que temos de natureza, mas com uma proximidade de radioatividade que se mistura até com uma simples flor. Mais do que qualquer outro slogan do género “Nuclear, não obrigado!”, uma interessante forma de nos fazer pensar em alternativas para ir buscar a energia de que precisamos.

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A resposta

O apelo emocionado de alguém que está à espera de uma resposta. O sítio escolhido terá certamente algo a ver com os locais de passagem da pessoa a quem a mensagem se destina, caso contrário o apelo perde eficácia. A ausência de assinatura permite concluir que o ou a receptora da mensagem deverão saber que têm realmente do outro lado alguém tão desesperado, que arrisca pintalgar uma parede. Como em casos semelhantes, resta ao comum transeunte tentar imaginar que história estará por detrás de tal apelo. E, já agora, que a coisa acabe em bem.

Captar a atenção

Certamente que a intenção de alguém que escreve uma frase, faz um graffiti ou um desenho numa parede é fazer com que outras pessoas olhem para o que lá está. Por isso, há normalmente uma predilecção por espaços mais visíveis – fazer a mesma coisa numa zona de passagem ou num beco refundido não terá exatamente o mesmo impacto. Tentar esconder o que se faz seria algo parecido a quem escreve livros para os guardar na gaveta. Ao pintalgar isto num espaço de consideráveis dimensões e visível ao longe, seria normal que o trabalho deste autor despertasse a atenção. Ironicamente, limita-se a captar a atenção do transeunte, sem segundas intenções. E seria desonesto dizer que a ideia é pouco original.

A Coligação

Findas as eleições legislativas, convém lembrar que este blogue foi criado em 2011, o mesmo ano em que Passos Coelho se tornou Primeiro-Ministro de Portugal, tendo tomado decisões – de iniciativa própria ou por imposição da Troika – que ajudaram a aumentar o desemprego, a pobreza, a emigração e a degradação dos serviços públicos. Decisões essas que, pela sua impopularidade, contribuíram para o regresso da boa e velha arte da pichagem de paredes, que deram um colorido diferente à cidade onde vivo e que, indiretamente, me ajudaram a aumentar a minha coleção de fotografias de paredes pintalgadas. A Coligação reeleita andará certamente longe daquilo que eu e muitos concidadãos pensam do que este país deveria ser, mas, ao menos, é garantia de que continuarão a haver muitas fotografias para tirar. Valha-nos isso.