Captar a atenção

Certamente que a intenção de alguém que escreve uma frase, faz um graffiti ou um desenho numa parede é fazer com que outras pessoas olhem para o que lá está. Por isso, há normalmente uma predilecção por espaços mais visíveis – fazer a mesma coisa numa zona de passagem ou num beco refundido não terá exatamente o mesmo impacto. Tentar esconder o que se faz seria algo parecido a quem escreve livros para os guardar na gaveta. Ao pintalgar isto num espaço de consideráveis dimensões e visível ao longe, seria normal que o trabalho deste autor despertasse a atenção. Ironicamente, limita-se a captar a atenção do transeunte, sem segundas intenções. E seria desonesto dizer que a ideia é pouco original.

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A Coligação

Findas as eleições legislativas, convém lembrar que este blogue foi criado em 2011, o mesmo ano em que Passos Coelho se tornou Primeiro-Ministro de Portugal, tendo tomado decisões – de iniciativa própria ou por imposição da Troika – que ajudaram a aumentar o desemprego, a pobreza, a emigração e a degradação dos serviços públicos. Decisões essas que, pela sua impopularidade, contribuíram para o regresso da boa e velha arte da pichagem de paredes, que deram um colorido diferente à cidade onde vivo e que, indiretamente, me ajudaram a aumentar a minha coleção de fotografias de paredes pintalgadas. A Coligação reeleita andará certamente longe daquilo que eu e muitos concidadãos pensam do que este país deveria ser, mas, ao menos, é garantia de que continuarão a haver muitas fotografias para tirar. Valha-nos isso.

Maré

Finda a época balnear, vai acabando aos poucos a procura pelas praias enquanto espaço de lazer, associado normalmente a férias e à assimilação de vitamina D por intermédio dos raios solares. Estando então posta de parte, durante alguns meses, a função lúdica do mar, este continua com a sua vasta oferta de funções úteis, entre as quais o servir de habitat para o peixe que nos vai alimentando ao longo do ano. É precisamente a quem se dedica ao difícil ofício de ir diariamente para o mar, com todos os perigos que tal traz por arrasto, que esta parede via homenagear.

Wars

O logotipo de uma popular marca de chocolates a ser virado do avesso, sendo quase uma forma de propaganda à arte da guerra por esse mundo fora, não fosse esta uma marca conhecida em todo o mundo. Uma subversão de logotipo a ser usada de forma irónica.

Natureza

Em plena cidade de Lisboa, a Natureza retratada numa parede, sem grandes floreados e sem mensagens subreptícias. Para quem se se deu ao trabalho a pintalgar este pedaço de parede, não seria preciso muito mais para meter mãos ao trabalho.

Sucintamente

Por entre tantas declarações pintadas por essas ruas, por vezes recorrendo a figuras de estilo ou outros apetrechos de linguagem, também há quem escreva ao que vem de uma forma bastante sucinta. Como acontece nesta parede de Évora, em que apenas se deseja felicidade a quem é destinatário (ou destinatária) da mensagem. Por vezes, não interessa complicar.

Escadaria

Aveiro não estará certamente na lista de cidades que melhor conheço, mas, tal como em qualquer cidade em Portugal – ainda para mais, sendo sede de uma importante universidade – não é difícil por ali encontrar coisas dignas de serem fotografadas. Frases dentro do espírito deste blogue também há por ali, e já aqui foram publicadas, mas será mais digno de realce quando se pinta toda uma escadaria com uma simples mensagem de amor pela cidade, sem direito a segundas intenções. Uma cidade conhecida pelas salinas, pelos ovos moles e pelos passeio de barco. Motivos que parecem justificar uma pintura numa escadaria com esta envergadura.